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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tecnologia para Surdos, por Eduardo Parise

Tecnologia para Surdos!
Deficiente Auditivo ou Surdo?
A deficiência auditiva pode ter maior ou menor intensidade. Quando a deficiência é parcial, o que permite o indivíduo ter resíduo de audição, pode ser caracterizado como Deficiente Auditivo, porém, se a deficiência é de tal forma que não permite a diferenciação dos sons inibindo a fala, o indivíduo é Surdo.
Para efeito de nosso tema, vamos considerar "Tecnologia 3G para Surdos da Comunicação [SEM] Barreira" o que não invalida seu uso pelos Deficientes Auditivos.
Há 15 ou 20 anos, os Surdos tinham como alternativa a comunicação escrita. Sim, uma carta escrita que chegava pelo correio. Havia demora em chegar, para ler, ser respondida e postada nos correios. Imaginem vocês que isso era só o que tínhamos. Depois tivemos o Pager (bip), que
era usado digitando a mensagem.
Junto mais um aparelho celular para pedir o auxilio de voz para redigitar mensagem do bip, não tínhamos ainda o nosso poder de acessibilidade de enviar uma mensagem pelo Bip.
De um jeito ou de outro havia dificuldade para interpretação do texto, ou seja, o surdo não tem a mesma fluência em português que um ouvinte e sempre acabava havendo problemas para assimilar a mensagem.
Chegamos à época do celular analógico que permite então uma maior interação entre os surdos.
Envia-se uma mensagem e a resposta pode ser retornada nos minutos seguintes, embora haja a mesma dificuldade do uso do português, ou seja, a linguagem falada em nosso país difere da linguagem de sinais, acrescida da leitura labial.
Houve ainda o tempo do TDD (Telecommunications device for the deaf), porém o interlocutor também devia ter o mesmo equipamento do outro lado da linha, o que também tinha altíssimo custo. Hoje ainda vemos esse aparelho disposto em determinados shoppings de São Paulo e em alguns estados no Brasil. Quando você vir um deles pergunte a recepcionista quantos vezes já foi usado aquele aparelho. Pura demagogia.
Simultaneamente temos o milagre da Internet, pois a comunicação é facilitada, embora a grande maioria não possa ter um computador em casa, devido seu custo. Hoje então temos a tecnologia 3G: texto, voz, Internet Full Time, Messenger instância, E-mail, Vídeo Conferência e SMS, todos esses recursos num único equipamento. Essa tecnologia funcionalmente permite que os surdos usem a Libras.
Libras, o que é isso? Língua Brasileira de Sinais, regulamentada pelo Decreto 5.626, isto em Dezembro de 2006.
Libras é a língua usada pelos surdos para sua comunicação. Assim como as diversas línguas existentes, ela é composta por níveis lingüísticos como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Da mesma forma que nas línguas oral-auditivas existem palavras, nas línguas de sinais também existem itens lexicais, que recebem o nome de sinais. A única diferença é sua modalidade viso-espacial. Agora é possível que de qualquer parte do país ou do mundo, dois surdos possam se comunicar
livremente sem ter que pedir ajuda a ninguém, o que, diga se de passagem, nem sempre conseguem.
Todos podem ter um equipamento desses? Sim podem desde que possam pagar em torno de R$1.300,00 por ele.
E as despesas de conexão? Ah! É o combustível para sua super máquina! Aqui é que entra a "Responsabilidade Social", do governo, das operadoras, da comunicação móvel. Bolsa Comunicação. Pobre tem Bolsa Família, nós podemos ter uma ajuda para esse fim, pois a maioria dos surdos além de ter deficiência auditiva , tem a deficiência financeira, ou seja, estão situados nas classes menos favorecidas e não teriam todo esse dinheiro para obter o equipamento mais despesas de comunicação.
Então? Vamos juntar forças para sensibilizar os responsáveis para nos ajudar?
Eduardo Munhoz Parise
eduardo.parise@uol.com.br
Coordenador de Pesquisa e Tecnologia da Federação Nacional de Educação e Integração
dos Surdos
São Paulo, 08 de Julho de 2008

Um comentário:

Debora Caetano Kober disse...

Sou solidária às suas questões. Creio que seja necessário realmente, maior Responsabilidade Social para que o Surdo possa fazer uso efetivo de sua LÍNGUA e de forma livre. Creio que estamos vivendo um momento histórico, pois em espaço tão curto de tempo, os avanços tecnológicos já permitem maior comunicação dos surdos com os não surdos e entre surdos. Por outro lado, acredito ainda, que as formas de comunicação escrita, sejam importantes na medida em que os Surdos buscam por uma redação clara na segunda língua. Creio que uma não deva eliminar a outra. Não é mesmo?! Sua proposta vem ao encontro de minhas preocupações... O letramento do surdo e a tecnologia. O letramento na segunda língua ocorrendo com o letramento digital. Uma combinação perfeita!