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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ÉTICA E ENSINO DE LIBRAS

A ética e o ensino de Libras

Publicado em 25.09.2008

Carolina Longman

Vinte e seis de setembro é Dia Nacional de Luta do Povo Surdo e vale registrar alguns avanços e desafios. Antes de qualquer discussão se faz necessário afirmar com todas as letras: a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma língua e não uma transcrição de outra língua. Mesmo assim, somente há seis anos, foi legal e oficialmente reconhecida. Portanto, é uma língua jovem, na verdade apenas uma criança, que ainda tem muito para crescer e se consolidar. A luta do povo surdo não é de hoje, há mais de duzentos anos a língua de sinais, nascida na França, chegou ao Brasil, na época do império e só agora no século 21 foi reconhecida.
No dia de amanhã, então, uma grande conquista a ser assinalada. Foi nesta data, em 2006, que se implantou nas universidades federais do País o curso de graduação em letras com especialização em Libras. Outro avanço: a implantação das legendas em algumas redes de televisão e nos filmes nacionais. Aqui em Pernambuco, destacamos a Associação de Surdos de Pernambuco, o movimento Jovem Surdo, o grupo teatral Mãos em Cena, o Cinesuvag e o Fotolibras.
A nossa luta ainda continua na divulgação e no reconhecimento da sociedade em geral da natureza do povo surdo, da sua cultura e da grandeza da sua língua. Infelizmente, como em qualquer situação de diferença, estamos sujeitos aos oportunistas e charlatães que escrevem e se dizem especialistas em Libras e definem políticas públicas sem conhecimento dos estudos surdos. Uns defendem que eles próprios, os ouvintes, são mais competentes que os surdos para ensinar a nossa língua. Parece uma piada, mas não é. Seria o mesmo que dizer: para ensinar japonês a brasileiro, só tem competência outro brasileiro falante de japonês. Essas atitudes denunciam o oportunismo de pessoas que querem se promover e, mais grave ainda, se colocam como "caridosos". São os verdadeiros "narcisos de caridade" como tão bem definiu Nelson Rodrigues.
O charlatanismo seria exatamente essa dissimulação, de quem se diz pretender promover o ensino de Libras e utiliza-se de ouvintes desclassificados. Aqui vale chamar atenção e fazer um alerta: as nossas universidades de ensino não ajudam a valorizar, nem contribuem na luta pela afirmação da cultura surda, quando não fazem uma seleção criteriosa e rigorosa para escolher os seus professores de Libras.
Outro grande desafio que ainda haveremos de travar é de lutar contra a inclusão de surdos nas classes de ouvintes com intérpretes. É preciso ter claro: a diferença necessita de meios diversos e bem mais complexos de aprendizado. Não basta colocar um intérprete de Libras na sala de aula e dizer que o surdo está incluído e aprendendo. Como construir conhecimento numa sala de aula com um intermediário de sua língua, ou mais, como se pode aprender profundamente com um intérprete? Intérprete não é professor. Intérprete não ensina, é um mero repassador de conteúdos.
Na prática, isso significa dizer que surdo não tem direito a professor, mas só a um repassador. Essa compreensão reforça a ideologia de que a escola é repassadora de conteúdos e não constrói conhecimento e pensamento. A prática dessa política, através de trabalhos científicos já publicados, denuncia o seu fracasso. Infelizmente, os dirigentes continuam defendendo a inclusão para os surdos. Queremos escolas de surdos de qualidade, com professores fluentes na nossa língua.
Por fim, uma última pergunta: qual a ética que esses gestores e falsos professores de Libras defendem?
» Carolina Longman é pedagoga.
http://jc.uol.com.br/jornal/2008/09/25/not_300750.php

3 comentários:

Vanessa disse...

Olá
Muito legal seu blog, gostaria que visitasse o meu, pois temos temas relacionados!
http://blogvendovozes.blogspot.com

Abraços
Vanessa

Vanessa disse...

Olá! Como o seu blog faz parte daqueles que gosto de visitar, deixei um selo do “Prêmio Dardos” pra você no meu blog Vendo Vozes! Passa lá e pega o selinho! Abração e parabéns pelo Blog!

Anônimo disse...

eu estou fazendo um trabalho pra faculdade, e é sobre libras, estou gostando muito de poder conhecer este novo mundo até então desconhecido...